Análise: goleada sofrida pelo Sport é uma vergonha assinada por muitas mãos


Escolhas de António Oliveira na escalação precisam ser postas sobre a balança, mas erros da gestão não podem ser esquecidos - e tampouco atuação perdedora dos jogadores em goleada Coletiva do técnico António Oliveira após Sport 0x4 Cruzeiro Não caberá a esta análise se debruçar sobre a atuação do Sport contra o Cruzeiro. Afinal, o que se viu na Ilha do Retiro, domingo, escancarou-se no placar: uma derrota de 4 a 0 sofrida por um time desequilibrado e alheio. Aqui, na verdade, o texto se propõe a trazer reflexões e, também, afirmações sobre o momento do clube na Série A: é preciso respeitar o contexto. Porque, no futebol, ele é tudo. Único time a ainda não ter vencido no Brasileiro, onde está afundado na lanterna e a sete pontos para deixar a zona de rebaixamento, o Sport demitiu o técnico Pepa para trazer António Oliveira. + ✅Clique aqui para seguir o novo canal ge Sport no WhatsApp + Veja mais notícias do Sport no ge Jogadores do Sport deixam a Ilha do Retiro após derrota por 4 a 0 para o Cruzeiro Marlon Costa/AGIF Era necessário um profissional de perfil pragmático para assumir o cargo, concluiu a diretoria. O treinador ex-Cuiabá e Corinthians, então, virou o alvo a ser perseguido. E tão logo anunciado, trouxe discursos de apego a esse "pragmatismo" para recuperar o clube na Série A. Assim concedeu António a sua primeira entrevista à imprensa, sábado à tarde, véspera do jogo contra o Cruzeiro. Para, no domingo, não cumprir com nada das próprias ideias verbalizadas um dia antes. Então, chegamos ao contexto citado no início do texto. Mais notícias: +António Oliveira explica escalação: "A lei do mais apto" +Atuações do Sport: em estreia, António Oliveira leva zero As escolhas por acionar Matheus Alexandre e Carlos Alberto como titulares seriam (e são) compreensíveis para recuperá-los. Afinal, são ativos do Sport e custaram, juntos, R$ 24 milhões. Mas o momento não era este. Guilherme Falcão, diretor de futebol do Sport, à direita Paulo Paiva/Sport Logo no dia 1 de jornada, o treinador arrumou "sarna para se coçar", trazendo para si pressão acima da medida numa largada de trabalho que o tornou corresponsável pelo resultado e "burro" para os torcedores. Num dia que selou a pior largada do Sport em toda a história do Campeonato Brasileiro. +Torcida do Sport chama técnico estreante de "burro" com apenas 20 minutos de jogo; veja vídeo Não se trata de personificar a culpa nos atletas pelo vexame contra o Cruzeiro - do jeito que o coletivo do Sport se comportou, a derrota não era uma questão de sim ou não, mas de quando. Trata-se, sim, da desconexão com a realidade: Carlos Alberto e Matheus Alexandre não entregam futebol há tempos. Torcedores do Sport chamam técnico António Oliveira de burro aos 20 minutos do 1º tempo Zé Lucas, prata da casa em plena ascensão e observado na Europa, não merecia ser titular? Por que se aventurar e não fazer o simples? Dois dias de treino não foram suficientes para perceber o que está diante dos olhos? Daí, questionamentos precisam ser feitos. +Sport não perdia por diferença de quatro gols jogando na Ilha do Retiro, pela Série A, havia 18 anos Não houve diálogo com a comissão técnica da casa e/ou diretoria para municiar o português de informações sobre o elenco? Se sim, e Oliveira decidiu bancar a própria escolha (Matheus Alexandre, por exemplo, foi seu atleta no Cuiabá) ele errou. Se não houve orientação, erro igual. Pior. De um jeito ou de outro, a vergonha está assinada. Compartilhada. Torcida do Sport canta "time sem vergonha" após terceiro gol do Cruzeiro Dividida também com outro elemento desta equação: os jogadores. Porque não cabe só direcionar à gestão e ao novo técnico a razão para o péssimo trabalho apresentado até aqui. O elenco do Sport entrou em campo contra o Cruzeiro em estado de letargia, com comportamento de perdedor. Atletas com capacidade de se sobressair no individual, como Sérgio Oliveira, precisam reaparecer para assumir responsabilidades e tomar as rédeas do grupo. Dando o exemplo pela própria estatura, jogando com competitividade. "Dar as caras e ter vergonha na cara", como Pablo e Igor Cariús subiram o tom no intervalo e na saída de jogo. No entanto, embora seja prudente dar respostas à torcida, doída e abalada com o momento do próprio clube, palavras não resolvem nada. Ação e resultado, sim. No intervalo, Pablo diz que Sport precisa ter "vergonha na cara" António Oliveira terá muito a ajustar taticamente o time, mas a esta altura precisa canalizar forças e também resgatar a confiança de um grupo que, como reconhecido, sucumbe ao primeiro golpe. Contra o Cruzeiro, o estrago foi feito e minou qualquer perspectiva de base para um início de trabalho. Então, é preciso começar do zero contra o Ceará. Sabendo que os desafios serão multiplicados e que o pragmatismo, palavra tão falada nos últimos dias, precisa o quanto antes sair do papel e ir a campo. 🎙️ Ouça o podcast Embolada 🎧 Assista: tudo sobre o Sport no ge, na Globo e no sportv

Fonte: G1
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